terça-feira, 17 de maio de 2016

Algumas reflexões sobre a relação: cérebro, comportamento e nutrição

Como diz a Dra. Denise Carreiro, nutricionista, "a única coisa que forma uma célula é nutriente, e a única coisa que forma a gente é célula"...ou seja, quem forma o nosso organismo são os nutrientes das células, e a única maneira que temos de colocar matéria-prima no cérebro, para que nosso organismo funcione, é se alimentando.

Daí depreendemos que a alimentação é básica não só para a óbvia manutenção da vida, mas que é importante pensar no tipo de nutriente que ingerimos, porque precisamos ser bem nutridos para manter a saúde e a disposição, e não apenas sobreviver. Neurônio é feito de  nutriente. A comunicação entre os neurônios, através da bainha de mielina, se dá através dos nutrientes que o cérebro absorve. Logo, é fundamental escolher com cuidado o que ingerimos, a fim de que sejam alimentos realmente nutritivos, para que possamos garantir um bom funcionamento cerebral e orgânico.

Isso, aplicado às crianças, torna-se ainda mais delicado, pois organismos infantis estão em formação. Precisamos lembrar que a criança ainda não tem um nível de compreensão e de informação adequados para escolher corretamente seu alimento. Será que ela já consegue discernir o que é importante para a sua formação orgânica? Criança aprende a comer aquilo que lhe é dado habitualmente. Ou seja, é preciso estabelecer que quem define a alimentação infantil são os pais, ou ao menos deveria ser... os alimentos devem ser oferecidos nos horários das refeições, à mesa, e o grau de escolha das crianças está em optar por uma ou mais opções daquelas que estão disponíveis. Mas é fundamental que os pais controlem o tipo de alimento que oferecem e limitem a injestão de doces e comidas muito calóricas ou industrializadas. Essa negociação com a criança sobre os alimentos vai depender muito da relação com o cuidador ou cuidadora: como são dados os limites, se a criança é respeitada em seus gostos e preferências alimentares sempre que possível, como é feita a adaptação a outros alimentos para que a criança não deixe de comer, o que vai ser imposto e como.

A alimentação é determinante para a saúde do indivíduo desde a gestação: o que a mãe está comendo? Quais os nutrientes que estão formando essa criança? A formação do cérebro começa a partir daí, embora isso não seja o único determinante, é claro. Mas porque será que hoje as crianças nascem alérgicas? Porque o índice de obesidade infantil está tão alto? Por que aumentam cada vez mais os casos de crianças com depressão, diabetes tipo II, artrite reumatóide, colesterol alto e demais síndromes orgânicas, metabólicas e neurocomportamentais? São questões atuais que precisamos refletir...

Então, precisamos observar: qual é a base da alimentação de nossos filhos? Embutidos, biscoitos, industrializados, iogurtes, refrigerantes? Claro que não se trata de um radicalismo, em que não se deve oferecer qualquer desses alimentos para as crianças, mas é preciso dosar a quantidade e a frequência dessa ingestão. Como anda o consumo de arroz, feijão, batata, ovo, peixe, legumes, frutas? A ideia é tornar esses alimentos a base da alimentação e os demais esporádicos e limitados.  orgânicos.

Há uma necessidade grande de determinados nutrientes na infância, já que os órgãos estão em formação. Isso, portanto, vai influenciar diretamente na saúde e na condição orgânica para o resto da vida. É preciso, então, não apenas se preocupar com a quantidade de calorias, mas, sobretudo, com a quantidade e qualidade dos nutrientes que nossas crianças estão ingerindo.

Lembremos que os comportamentos infantis são, em grande medida, resultantes não só da genética nem só do ambiente, mas da interação da criança com seu meio: familiar, social, escolar, etc. Portanto, façamos bem a nossa parte!

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